Celulares pequenos

Neste mês, a Apple apresentou novos modelos de iPad, iMac e AirPods. Ninguém tinha expectativas reais de ver novidades sobre o iPhone (nem eu), mas alguns malucos (como eu) ainda tinham uma mínima esperança de que a empresa anunciasse um legítimo sucessor do iPhone SE – lançado há três anos, em março. Teria sido uma bela maneira de comemorar o aniversário do último grande pequeno celular da história.

Na semana passada, Horace Dediu, um dos melhores analistas especializados em Apple, revelou ter essa esperança, em um texto sobre miniaturização:

Fundamentally explaining mini is pointless. mini is something that is felt more than it is perceived. You can see the attraction of a tiny product only when you come face-to-face with it. In a picture it’s hard to get it–there is no frame of reference. What draws me to a MacBook or to a mini or a Watch is when it’s touched and held and carried or worn. The experience of the product is not how it works but how it works with you. You have to be part of it. It’s not asking “Does it look good?”. It’s asking “Does it look good on me?” mini means more personal.

That is the nature of mini and that is why I love the new minis: the iPad mini, the Mac mini, the MacBook (mini) and that is what I dare to hope that there is an iPhone mini coming.

Março chega ao fim sem iPhone novo, mas a minha esperança (e, imagino, a de Dediu) continua.

Os celulares pequenos morreram (escrevi um artigo sobre isso no ano passado), mas podem ressuscitar. E não há empresa com mais força para fazer isso do que a Apple.

Que venha o iPhone Mini.


Daniel Gilbert: Paternidade e felicidade

Daniel Gilbert é uma dessas grandes celebridades acadêmicas com milhões de leitores e espectadores. Professor de psicologia em Harvard, já lançou best-seller, publicou artigos na imprensa, apresentou programa de TV e fez palestras em conferências da TED.

Em 2006, por ocasião do Dia dos Pais (comemorado em junho nos EUA e em outros países), escreveu para a Time o artigo “Does Fatherhood Make You Happy?”, um dos meus textos favoritos sobre paternidade. Resolvi traduzi-lo.

Clique aqui para ler o texto.

Feliz Dia dos Pais!


Jordan Peterson: ‘Ideologues love vagueness’

Jordan Peterson, on Quora:

Ideologues love vagueness, but specificity is their enemy, because their low-resolution theories cannot deal with differentiated facts. One such example is the standard radical left claim, often implicit, that all differences in power that can be observed between any groups of people spring from injustice. You can make such a claim axiomatic, by defining injustice as that which produces differences in power between groups of people. You can extend it to include all differences in power between individuals as well. The advantage so such a claim are twofold. First, you have a convenient answer to a very large set of very complex questions, so you don’t have to study, and research and think. Second, you can claim the moral high-ground, as someone who “opposes discrimination.” It’s a pretty pathetic game, intellectually and morally, and has spawned some seriously virulent and murderous thoughts and actions. You have to go after such dough-like overgeneralization with very sharp knives.

I agree. Unfortunately, many ideologues have a wide appeal.


Melhores colunas de análise e opinião do Brasil

Publiquei hoje (6/4) a seleção Nota Bene de melhores colunas de análise e opinião do Brasil.

A seleção Nota Bene de melhores colunas de análise e opinião do Brasil é completamente subjetiva – resultado dos meus critérios de qualidade e preferências de leitura. A maioria delas aborda economia e política, mas há também nomes de esporte, educação e saúde, entre outros temas.

Faltam colunas de livros, música e cinema. Não é que eu ignore esses temas; é só que não tenho muito interesse em ler colunas sobre eles. Primeiro, por uma questão de prioridade – o tempo é escasso e prefiro dedicá-lo a outras coisas. Segundo, porque o meu consumo de tais produtos é concentrado em obras antigas – e a mídia, compreensivelmente, dá muito mais espaço ao que é novidade. Terceiro, porque simplesmente não conheço bons colunistas nessas áreas. Talvez eles existam – fique à vontade para me enviar sugestões.

A seleção inclui não apenas colunas em seu formato tradicional, mas também blogs. Um articulista que escreve coluna e blog não necessariamente terá os dois incluídos na lista – Juca Kfouri e Mauricio Stycer, por exemplo, aparecem apenas com as suas colunas.

Deixei as traduções em uma seção separada porque são textos originalmente publicados em veículos estrangeiros, como The New York Times e Financial Times. Na verdade, ainda não sei se vou mantê-las na lista.

Alguns dos critérios de qualidade são honestidade intelectual, conhecimento, constância e texto. Não basta ser inteligente – um bom colunista deve transmitir as suas ideias de uma maneira clara para o leitor, e isso é mais difícil do que parece.

Colunas de reportagem – como Mônica Bergamo, Ancelmo Gois e o “Painel” da Folha – não foram consideradas.

A seleção está em constante atualização. Críticas e sugestões podem ser enviadas por e-mail.

Clique aqui para conferir a lista.


Novo aplicativo da ‘Folha’: não dá para ler

O novo site da Folha, apesar de tantos problemas, é melhor do que a sua versão anterior. O mesmo não se pode dizer do aplicativo da edição impressa.

O jornal trocou de desenvolvedora, e a responsável pelo novo app é uma empresa chamada Maven. Por enquanto, as consequências dessa mudança são desastrosas. Basta ler os comentários no site da Folha e na App Store. É praticamente uma unanimidade – algo que, neste ambiente tão polarizado de hoje, é difícil de conseguir. Parabéns, Folha.

O pior problema chega a ser absurdo de tão ridículo: a baixa definição das páginas do jornal. Como é possível um app dedicado à leitura oferecer uma legibilidade tão baixa?

Para ter uma noção melhor do problema, veja estas capturas feitas com o iPad:

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Novo site da ‘Folha’

Na semana passada a Folha estreou um novo site. Eis minhas primeiras impressões.

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Ha-Joon Chang sobre o Brasil

Ha-Joon Chang, economista da Universidade de Cambridge, deu entrevista a El País. Alguns comentários:

Hoje, quando olhamos para os países ricos, em sua maioria, eles praticam o livre comércio. Por isso, é comum pensarmos que foi com esta receita que eles se desenvolveram. Mas, na realidade, eles se tornaram ricos usando o protecionismo e as empresas estatais. Foi só quando eles enriqueceram é que adotaram o livre comércio para si e também como uma imposição a outros Estados. […]

O que é incrível é que essa política [de austeridade] vem sendo usada várias vezes, como no Brasil nas décadas de 1980 e 1990, e nunca funcionou. Albert Einstein falava que a definição de loucura é fazer a mesma coisa várias vezes e esperar resultados diferentes.

O discurso de Chang dá a entender que o Brasil tenta enriquecer com políticas de livre comércio e austeridade – e esse seria o caminho errado. Mas o que o Brasil tenta fazer há décadas é justamente crescer “usando o protecionismo e as empresas estatais”. Sem austeridade. E não deu certo.

A citação a Einstein é muito irônica. O que o Brasil fez várias vezes, esperando resultados diferentes? Protecionismo. (E não há confirmação de que Einstein tenha dito tal frase.)

Ao contrário de outros países em desenvolvido [sic], o Brasil tem a habilidade de fazer as coisas acontecerem por meio da intervenção governamental. A Embraer, por exemplo, é uma empresa de economia mista. […]

A Embraer não é uma empresa de economia mista. (Talvez isso tenha sido um erro de tradução. Ou não.) E cresceu de fato apenas após ser privatizada.

O Governo de Dilma canalizou vários subsídios em alguns setores em particular. Mas isso só foi necessário por conta da política de alta taxa de juros, uma vez que as companhias brasileiras não conseguem competir no mercado global de outra forma. Não sei todos os detalhes. Mas sei que houve erros, corrupção. As metas governamentais também foram determinadas de forma equivocada… sempre privilegiando a estabilidade macroeconômica. Já o declínio da indústria não foi considerado um problema. Focou em ações como Bolsa Família, mas sem prestar atenção em dar um upgrade na economia. […]

Avaliação pra lá de estranha e confusa sobre o governo Dilma. De qualquer maneira, vale lembrar o que disse Chang em 2013:

O rumo da política econômica brasileira está no caminho certo e é normal que a combinação de juros mais baixos e câmbio mais desvalorizado leve algum tempo para produzir um ritmo de crescimento mais forte, disseram ontem o professor sul-coreano Ha-Joon Chang, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, e o ex-ministro Luiz Carlos Bresser Pereira. Para os dois economistas desenvolvimentistas, os juros e o câmbio estão hoje num nível mais favorável à indústria manufatureira, um segmento que os dois veem como fundamental para o desenvolvimento do país. […]

O professor de Cambridge também vê com bons olhos as medidas adotadas pelo governo Dilma Rousseff para estimular a indústria.


‘Journal of Political Economy’, 125

Founded in 1892, the prestigious Journal of Political Economy, published by the University of Chicago Press, turned 125 in 2017. The latest edition of the year includes a collection of commemorative essays entitled “The Past, Present and Future of Economics: A Celebration of the 125-Year Anniversary of the JPE and Chicago Economics”.

The introduction was written by John List, chairperson of the department of economics at the University of Chicago, and Harald Uhlig, head editor of the JPE.

We invited our senior colleagues at the department and several at Booth to contribute to this collection of essays. We asked them to contribute around 5 pages of final printed pages plus references, providing their own and possibly unique perspective on the various fields that we cover.

There was not much in terms of instructions. On purpose, this special section is intended as a kaleidoscope, as a colorful assembly of views and perspectives, with the authors each bringing their own perspective and personality to bear. Each was given a topic according to his or her specialty as a starting point, though quite a few chose to deviate from that, and that was welcome. […]

We asked that their contribution be about what the field has accomplished or about where the field might or should be going in the future. It is probably the nature of the beast that all chose a largely backward-looking perspective, providing an overview of how the field has developed over time and how the JPE helped this process along by publishing some of the key ideas and key contributions. But hop on board and start reading!

Lars Peter Hansen, Eugene Fama, Richard Thaler, Luigi Zingales, Robert Lucas, James Heckman, and Steven Levitt are some of the authors who chose to collaborate in the special edition. What a great team.

Access to the collection of essays is free.


‘Journal of Political Economy’, 125 anos

Criado em 1892, o prestigioso Journal of Political Economy, publicado pela University of Chicago Press, completou 125 anos em 2017. A última edição do ano inclui uma coleção de ensaios comemorativa, intitulada “The Past, Present, and Future of Economics: A Celebration of the 125-Year Anniversary of the JPE and of Chicago Economics”.

A introdução é de John List, chairperson do departamento de economia da Universidade de Chicago, e Harald Uhlig, head editor do JPE.

We invited our senior colleagues at the department and several at Booth to contribute to this collection of essays. We asked them to contribute around 5 pages of final printed pages plus references, providing their own and possibly unique perspective on the various fields that we cover.

There was not much in terms of instructions. On purpose, this special section is intended as a kaleidoscope, as a colorful assembly of views and perspectives, with the authors each bringing their own perspective and personality to bear. Each was given a topic according to his or her specialty as a starting point, though quite a few chose to deviate from that, and that was welcome. […]

We asked that their contribution be about what the field has accomplished or about where the field might or should be going in the future. It is probably the nature of the beast that all chose a largely backward-looking perspective, providing an overview of how the field has developed over time and how the JPE helped this process along by publishing some of the key ideas and key contributions. But hop on board and start reading!

Lars Peter Hansen, Eugene Fama, Richard Thaler, Luigi Zingales, Robert Lucas, James Heckman e Steven Levitt são alguns dos autores que toparam participar da edição especial. Um timaço.

O acesso à coleção de ensaios é gratuito.


Tyler Cowen on ‘Bloomberg View’

Interesting post by Tyler Cowen on Bloomberg View:

One of the most striking features of BV, from my personal point of view, is how many of the writers I was actively reading and following before they started with BV. […]

One day I woke up and realized these people write for Bloomberg View, or that people like them were going to, and then it occurred to me that maybe I should too. And there are still Bloomberg View writers I haven’t really discovered yet. (By the way, one reason all these people are so good is because of the consistently excellent editors.)

What is the common element behind all of these writers? I would say that Bloomberg View tends to hire reading-loving, eclectic polymaths, with both academic knowledge and real world experience, and whose views cannot always be predicted from their other, previous writings.

Over the last year, I think I would nominate Ross Douthat as The Best Columnist. But overall I think Bloomberg View has assembled the most talented and diverse group of opinion contributors out there, bar none.

On top of all that, BV is perhaps the least gated major opinion website.

The list of columnists for Bloomberg View is really admirable. It may be even possible to say that, within a certain scope, Bloomberg View alone is better than all of Brazil (i.e., considering all its news publications) when it comes to opinion writers.