Stupidity and journalism

Bertrand Russell, in A History of Western Philosophy:

A stupid man’s report of what a clever man says is never accurate, because he unconsciously translates what he hears into something that he can understand.

Steven Pinker, in his review of Malcolm Gladwell’s What the Dog Saw:

An eclectic essayist is necessarily a dilettante, which is not in itself a bad thing. But Gladwell frequently holds forth about statistics and psychology, and his lack of technical grounding in these subjects can be jarring. He provides misleading definitions of “homology,” “sagittal plane” and “power law” and quotes an expert speaking about an “igon value” (that’s eigenvalue, a basic concept in linear algebra). In the spirit of Gladwell, who likes to give portentous names to his aperçus, I will call this the Igon Value Problem: when a writer’s education on a topic consists in interviewing an expert, he is apt to offer generalizations that are banal, obtuse or flat wrong.

Scott Adams, in Dilbert:

Dilbert, 11 July 1994

Previously:


Site e aplicativo da ‘Folha’: ainda com muitos problemas

Em fevereiro do ano passado a Folha de S.Paulo estreou um novo site, e eu escrevi uma crítica com as minhas primeiras impressões. Em outro texto, falei sobre o péssimo aplicativo do jornal impresso.

Mais de um ano depois, quais problemas continuam e quais foram solucionados? Vamos ver.

Site

  • Erros. O site estreou cheio de falhas, com links quebrados, caracteres errados e outras falhas e imperfeições. Pareceu um lançamento precipitado e despreparado, com um deadline que chegou antes de o trabalho estar finalizado. “Vamos lançar o novo site no dia 1º de fevereiro, esteja pronto ou não!” Alguns erros ainda persistem.

Aparentemente os erros mais gritantes foram resolvidos.

  • Publicidade. Alguns anúncios são bizarros. A home exibe um banner gigantesco no desktop e um pop-up horrível no celular. Mas o maior absurdo são os anúncios da Outbrain, que aparecem colados às notícias recomendadas – e com um visual muito semelhante ao delas. Além de enganar o leitor mais desatento, eles têm chamadas sensacionalistas, com títulos caça-cliques pra lá de sacanas (“iPhone vendido por R$ 280”, “Bancos no Brasil estão preocupados que a Bitcoin oferece uma melhor forma de investimento”). E o destino dos links, claro, são páginas sem credibilidade alguma. É um contrassenso a Folha usar esse tipo de anúncio numa era em que tanto se fala sobre fake news. De alguma maneira, ela está ajudando sites que desinformam e merecem sumir do mapa.

Aqui, nada mudou. OK, quase nada. Agora as imagens das notícias da Folha incluem um ícone do jornal no canto inferior esquerdo. De resto, continuam os links sensacionalistas típicos da Outbrain – com a mesma tipografia da Folha.

  • Acessibilidade. Falta cuidado com detalhes. Se eu seleciono a versão escura (fundo cinza) na home e, depois, clico em uma notícia, a pagina desta é carregada na versão clara. E na versão escura, é impossível ler os títulos das notícias recomendadas.

Acima, listo dois problemas com a versão escura. O primeiro foi solucionado. O segundo… Bem, o que fizeram foi algo bem tosco. Agora, as notícias recomendadas aparecem com fundo branco mesmo na versão escura do site. É bizarro. Veja este exemplo.

E há outro problema: os blogs, aparentemente, não possuem versão escura. Eles sempre aparecem com o fundo branco.

  • Tipografia (fonte). A “tipografia […] tratada para usos em diferentes telas” funciona bem em celulares e tablets, que geralmente têm telas com alta densidade de pixels, mas deixa um pouco a desejar em monitores comuns, que têm baixa densidade e são os mais usados em computadores desktop. Vejam nesta imagem a comparação de duas capturas de tela realizadas em um monitor de 24 polegadas com resolução de 1920 × 1200 pixels 1. À esquerda, o texto com a fonte FolhaTexto; à direita, com Georgia 2. Ao menos para mim, a legibilidade do texto com Georgia é superior, principalmente devido ao contraste. O til na versão com FolhaTexto fica distorcido a ponto de parecer um macro.

Aqui, nada foi feito, e provavelmente nem será. A solução ideal seria criar uma versão da FolhaTexto específica para telas de baixa densidade – e exibi-la somente nelas. É muito caro e trabalhoso.

  • Tipografia (outros). A Folha poderia aproveitar a reforma no site e aplicar nele o mesmo cuidado tipográfico da edição impressa em elementos como travessão e aspas. O primeiro deve ser exibido como travessão de fato, não como um, dois ou três hifens (ou qualquer outro sinal). As aspas devem ser curvas (“como estas”), não retas ("como estas") 3.

O travessão feito com dois hifens e as aspas retas (ou “falsas”) continuam a aparecer com frequência. Em abril do ano passado, a Folha me informou que isso ocorria devido a “algum conflito com o sistema interno” e que estavam “trabalhando nisso”. Pelo visto, era conversa para boi dormir.

O pior é que é relativamente fácil fazer um plug-in ou algo do tipo para converter automaticamente hifens em travessões, aspas retas em aspas curvas etc. O próprio publicador do jornal impresso tem um recurso assim.

É um problema simples e negligenciado.

  • Padrão. Parece faltar consistência visual na exibição de algumas páginas. Vejam este exemplo. São oito cabeçalhos de colunas no site. Todas são colunas de análise e opinião, ou seja, em tese deveriam apresentar um padrão semelhante. Mas não é o que ocorre. Os três primeiros têm título com fonte FolhaII; os outros aparecem com fonte FolhaTexto. Há colunas com linha fina e chapéu, com linha fina e sem chapéu, sem linha fina e com chapéu e sem linha fina nem chapéu. O chapéu pode ter uma só palavra ou mais. E as palavras podem ou não incluir links para tags. Combinações para todos os gostos! É uma zona tão grande que há diferenças entre textos do mesmo autor (Clóvis Rossi) e até na cor do nome do colunista (Reinaldo Azevedo é o único em cinza). Também seria bom atenção na edição para evitar viúvas como esta.

Parece ter havido alguma melhora nesse quesito, mas os problemas ainda existem. Títulos de colunas continuam a aparecer tanto em FolhaII quanto em FolhaTexto. Os links também pecam pela falta de padrão – alguns usam o formato www1.folha.uol.com.br/colunas/nomedocolunista/ (sem hífen); outros, o formato www1.folha.uol.com.br/colunas/nome-do-colunista/ (com hífen).

  • Fotos. Parece ter faltado às fotos a atenção que o jornal deu à tipografia. Muitas imagens são exibidas com baixa resolução ou muitos artefatos de compressão – uma falta de consideração não apenas com o leitor, mas com o trabalho dos fotógrafos. O problema ocorre inclusive em galerias (que obviamente deveriam exibir as fotos da melhor maneira possível) e é mais grave em telas com alta densidade de pixels.

Ainda há muitas fotos com problemas. E aproveito para acrescentar que o widget usado para as galerias é muito ruim – não me lembro se já era assim há um ano, mas é bem possível. A navegação é lenta, com travadas frequentes, principalmente no celular.

  • Tablets. O layout das páginas no iPad parece ter sido meio negligenciado, principalmente quando o tablet é usado na posição retrato (vertical). Como a tela do tablet é maior que a do celular e menor que a do computador, a solução da Folha foi, aparentemente, misturar características dos layouts destinados a estes dois. O resultado é inconsistente. O problema, pelo que vejo, ocorre basicamente na visualização de elementos que foram desenhados para celular. O logotipo do jornal e os banners de publicidade, por exemplo, aparecem espremidos, com tamanho ideal para celular (bem, no caso dos anúncios, isso pode até ser considerado um ponto positivo para o leitor, mas o layout fica estranho). Algumas chamadas para notícias são esticadas de maneira a ocupar toda a largura da tela, como ocorre no celular – mas, no tablet, elas ficam grandes demais e com fotos horríveis (com resolução muito baixa para o tamanho em que são exibidas).

Aqui, nada mudou. E como o aplicativo do jornal impresso continua um lixo (falo abaixo sobre isso), podemos concluir que a Folha não dá a mínima para o leitor que usa tablets.

  • Comentários. O nível dos comentários era e continuará a ser baixo, isso não tem jeito. Mas o design pode melhorar. Ao clicar no botão “Todos os comentários”, somos levados a uma página não responsiva, com legibilidade terrível no celular (bem, mesmo no desktop ela nunca foi boa, com linhas muito compridas). Outro problema que ocorre no celular é aquele botãozinho cinza com ícone de balão, abaixo do título da matéria e ao lado do botão de WhatsApp. Ele deveria levar o leitor à seção de comentários. Ao clicar nele, porém, os comentários não aparecem porque estão escondidos sob o “Continue lendo”.

O primeiro problema (página não responsiva) foi resolvido. O segundo (botão dos comentários), não – o “Continue lendo” ainda esconde os comentários.

  • Busca. O sistema de pesquisa do site apresenta pelo menos dois problemas. O primeiro é a busca de palavras com acento. Ao acessar a home, clicar na lupa e digitar “previdência”, o resultado é este (link). Nessa página de resultados, substituir “previdência” por “previdência” dá certo – o resultado é este (link). O segundo problema é que, ao fazer a busca no celular, a página de resultados é exibida na antiga versão para desktop, não na mobile.

Resolvido.

  • Antigo site para dispositivos móveis. As páginas de comentários e resultados de busca têm um problema em comum: ambas são exibidas na antiga versão para desktop, mesmo quando acessadas pelo celular. É necessário melhorar a integração entre o site novo (responsivo) e o antigo (com versões separadas para desktop e mobile). Ao navegar pelo site novo e clicar em um link com destino ao site antigo, somos levados à versão desktop da página, mesmo quando o acesso é feito pelo celular. Em outras palavras, o velho site mobile foi jogado para escanteio. Posso dar outros exemplos além dos acima (comentários e busca). Ao acessar a página da edição impressa e selecionar uma data anterior a 1/2/2018, somos sempre levados à versão desktop, nunca à mobile. O mesmo ocorre quando acessamos a página de um colunista e selecionamos um artigo.

Aqui a situação melhorou, mas o problema da página da edição impressa em datas anteriores a 1/2/2018 continua.

  • Página de opinião. Nela, a maioria das chamadas tem apenas o chapéu “Opinião” e o título do texto. O ideal seria ver também o nome do autor do artigo (talvez no próprio chapéu).

Resolvido.

  • HTTPS. O acesso ao site ainda não é feito com HTTPS. Demorou, Folha.

Resolvido.

Aplicativo

O aplicativo continua a mesma porcaria. Tudo o que escrevi há um ano continua válido. Texto ruim, imagens ruins. Aliás, faltou mencionar outro problema: a completa falta de links. Na versão antiga do app, a primeira página de cada edição tinha links para as matérias correspondentes. O leitor podia “clicar” na chamada da capa e ir direto à matéria. Esse recurso inexiste no app atual. É outra vantagem do aplicativo do Estadão.

Para piorar, alguns profissionais da Folha que trabalham na área digital consideram resolvido o problema da nitidez. Quando soube disso, fiquei estupefato e desapontado.

Estupefato porque eu não imaginava que o nível de exigência ou de conhecimento técnico na Folha estivesse tão baixo assim – mesmo não esperando muito do jornal nesses aspectos (ou seja, a minha expectativa já era baixa e, ainda assim, fui surpreendido). Desapontado porque concluí que, de fato, não há por que ter esperanças de que o app fique minimamente decente. Ele será um lixo até que a Folha troque de desenvolvedora (ou de profissionais).


  1. Densidade de 94 PPI (pixels por polegada). O MacBook Pro de 13 polegadas tem 227 PPI. O iPhone X tem 463 PPI; o iPhone 8, 326 PPI; o Galaxy S8, 568 PPI. (Fonte: DPI Calculator / PPI Calculator.) 
  2. A fonte Georgia foi desenhada em 1993 por Matthew Carter especialmente para o uso em telas de baixa resolução. 
  3. Robert Bringhurst, em The Elements of Typographic Style, sobre as “dumb quotes” (“aspas falsas”, na edição brasileira): “These are refugees from the typewriter keyboard. […] They have no typographic function.” 

Melhores colunas: atualização

Na última semana finalmente atualizei a seleção Nota Bene de melhores colunas de análise e opinião do Brasil.

As últimas alterações haviam ocorrido em outubro do ano passado. Desde então, muita coisa mudou – alguns colunistas deixaram de escrever, outros trocaram de veículo, novos nomes apareceram.

Eis as novidades da seleção. Para ver a lista completa de alterações, clique aqui.

Inclusões em “Magna cum laude”:
– Alexandre Schwartsman (InfoMoney)
– Arminio Fraga (Folha de S.Paulo)

Inclusões em “Cum laude”:
– Bruno Carazza (Página pessoal)
– Bruno Carazza (Valor Econômico)
– Dalmo de Abreu Dallari (Jota)
– Fernando Abrucio (Valor Econômico)
– Jorge Arbache (Valor Econômico)
– Marcos Mendes (Brasil, Economia e Governo)
– Maria Herminia Tavares de Almeida (Folha de S.Paulo)
– Mauro Cezar Pereira (UOL)
– Mauro Cezar Pereira (Gazeta do Povo)
– Monica de Bolle (Época)
– Nilson Teixeira (Valor Econômico)
– Paulo Tafner (InfoMoney)
– Rafael Muñoz (Folha de S.Paulo)

Exclusões de “Magna cum laude”:
– Alexandre Schwartsman (Folha de S.Paulo)
– Drauzio Varella (CartaCapital
– Marcelo Gleiser (Folha de S.Paulo)

Exclusões de “Cum laude”:
– Bruno Carazza (Folha de S.Paulo)
– Eugênio Bucci (Época)
– Fernando Meligeni (ESPN)
– Jota (Folha de S.Paulo)
– Juca Kfouri (Folha de S.Paulo)
– Leão Serva (Folha de S.Paulo)
– Marina Silva (Valor Econômico)
– Matias Spektor (Folha de S.Paulo)
– Marcos Troyjo (Folha de S.Paulo)
– Mauro Cezar Pereira (ESPN)
– Monica de Bolle (Poder 360)
– Noam Chomsky (UOL)
– Pedro Fernando Nery (Gazeta do Povo)
– Raul Velloso (O Globo)
– Riad Younes (CartaCapital)


Celulares pequenos

Neste mês, a Apple apresentou novos modelos de iPad, iMac e AirPods. Ninguém tinha expectativas reais de ver novidades sobre o iPhone (nem eu), mas alguns malucos (como eu) ainda tinham uma mínima esperança de que a empresa anunciasse um legítimo sucessor do iPhone SE – lançado há três anos, em março. Teria sido uma bela maneira de comemorar o aniversário do último grande pequeno celular da história.

Na semana passada, Horace Dediu, um dos melhores analistas especializados em Apple, revelou ter essa esperança, em um texto sobre miniaturização:

Fundamentally explaining mini is pointless. mini is something that is felt more than it is perceived. You can see the attraction of a tiny product only when you come face-to-face with it. In a picture it’s hard to get it–there is no frame of reference. What draws me to a MacBook or to a mini or a Watch is when it’s touched and held and carried or worn. The experience of the product is not how it works but how it works with you. You have to be part of it. It’s not asking “Does it look good?”. It’s asking “Does it look good on me?” mini means more personal.

That is the nature of mini and that is why I love the new minis: the iPad mini, the Mac mini, the MacBook (mini) and that is what I dare to hope that there is an iPhone mini coming.

Março chega ao fim sem iPhone novo, mas a minha esperança (e, imagino, a de Dediu) continua.

Os celulares pequenos morreram (republico abaixo um artigo que escrevi sobre isso no ano passado), mas podem ressuscitar. E não há empresa com mais força para fazer isso do que a Apple.

Que venha o iPhone Mini.


A morte dos celulares pequenos (ou RIP iPhone SE)

[Escrito em setembro de 2018.]

Em setembro de 2012, um anúncio da Apple mostrava o então recém-lançado iPhone 5, com tela de 4 polegadas e dimensões de 123,8 × 58,6 × 7,6 mm, sendo utilizado com apenas uma mão. Aquele tamanho, dizia o vídeo, não era coincidência, mas “bom senso”.

Hoje, seis anos depois, os menores modelos de iPhone à venda têm tela de 4,7 polegadas e medem 138,4 × 67,3 × 7,3 mm. O mais recente deles, o iPhone 8, foi lançado no ano passado – os deste ano são todos maiores. E a homepage do site da Apple diz: “Bem-vindo às telonas”.

O que aconteceu com o tal “bom senso”?

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Daniel Gilbert: Paternidade e felicidade

Daniel Gilbert é uma dessas grandes celebridades acadêmicas com milhões de leitores e espectadores. Professor de psicologia em Harvard, já lançou best-seller, publicou artigos na imprensa, apresentou programa de TV e fez palestras em conferências da TED.

Em 2006, por ocasião do Dia dos Pais (comemorado em junho nos EUA e em outros países), escreveu para a Time o artigo “Does Fatherhood Make You Happy?”, um dos meus textos favoritos sobre paternidade. Resolvi traduzi-lo.

Clique aqui para ler o texto.

Feliz Dia dos Pais!


Jordan Peterson: ‘Ideologues love vagueness’

Jordan Peterson, on Quora:

Ideologues love vagueness, but specificity is their enemy, because their low-resolution theories cannot deal with differentiated facts. One such example is the standard radical left claim, often implicit, that all differences in power that can be observed between any groups of people spring from injustice. You can make such a claim axiomatic, by defining injustice as that which produces differences in power between groups of people. You can extend it to include all differences in power between individuals as well. The advantage so such a claim are twofold. First, you have a convenient answer to a very large set of very complex questions, so you don’t have to study, and research and think. Second, you can claim the moral high-ground, as someone who “opposes discrimination.” It’s a pretty pathetic game, intellectually and morally, and has spawned some seriously virulent and murderous thoughts and actions. You have to go after such dough-like overgeneralization with very sharp knives.

I agree. Unfortunately, many ideologues have a wide appeal.


Melhores colunas de análise e opinião do Brasil

Publiquei hoje (6/4) a seleção Nota Bene de melhores colunas de análise e opinião do Brasil.

A seleção Nota Bene de melhores colunas de análise e opinião do Brasil é completamente subjetiva – resultado dos meus critérios de qualidade e preferências de leitura. A maioria delas aborda economia e política, mas há também nomes de esporte, educação e saúde, entre outros temas.

Faltam colunas de livros, música e cinema. Não é que eu ignore esses temas; é só que não tenho muito interesse em ler colunas sobre eles. Primeiro, por uma questão de prioridade – o tempo é escasso e prefiro dedicá-lo a outras coisas. Segundo, porque o meu consumo de tais produtos é concentrado em obras antigas – e a mídia, compreensivelmente, dá muito mais espaço ao que é novidade. Terceiro, porque simplesmente não conheço bons colunistas nessas áreas. Talvez eles existam – fique à vontade para me enviar sugestões.

A seleção inclui não apenas colunas em seu formato tradicional, mas também blogs. Um articulista que escreve coluna e blog não necessariamente terá os dois incluídos na lista – Juca Kfouri e Mauricio Stycer, por exemplo, aparecem apenas com as suas colunas.

Deixei as traduções em uma seção separada porque são textos originalmente publicados em veículos estrangeiros, como The New York Times e Financial Times. Na verdade, ainda não sei se vou mantê-las na lista.

Alguns dos critérios de qualidade são honestidade intelectual, conhecimento, constância e texto. Não basta ser inteligente – um bom colunista deve transmitir as suas ideias de uma maneira clara para o leitor, e isso é mais difícil do que parece.

Colunas de reportagem – como Mônica Bergamo, Ancelmo Gois e o “Painel” da Folha – não foram consideradas.

A seleção está em constante atualização. Críticas e sugestões podem ser enviadas por e-mail.

Clique aqui para conferir a lista.


Novo aplicativo da ‘Folha’: não dá para ler

O novo site da Folha, apesar de tantos problemas, é melhor do que a sua versão anterior. O mesmo não se pode dizer do aplicativo da edição impressa.

O jornal trocou de desenvolvedora, e a responsável pelo novo app é uma empresa chamada Maven. Por enquanto, as consequências dessa mudança são desastrosas. Basta ler os comentários no site da Folha e na App Store. É praticamente uma unanimidade – algo que, neste ambiente tão polarizado de hoje, é difícil de conseguir. Parabéns, Folha.

O pior problema chega a ser absurdo de tão ridículo: a baixa definição das páginas do jornal. Como é possível um app dedicado à leitura oferecer uma legibilidade tão baixa?

Para ter uma noção melhor do problema, veja estas capturas feitas com o iPad:

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Novo site da ‘Folha’

Na semana passada a Folha estreou um novo site. Eis minhas primeiras impressões.

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Ha-Joon Chang sobre o Brasil

Ha-Joon Chang, economista da Universidade de Cambridge, deu entrevista a El País. Alguns comentários:

Hoje, quando olhamos para os países ricos, em sua maioria, eles praticam o livre comércio. Por isso, é comum pensarmos que foi com esta receita que eles se desenvolveram. Mas, na realidade, eles se tornaram ricos usando o protecionismo e as empresas estatais. Foi só quando eles enriqueceram é que adotaram o livre comércio para si e também como uma imposição a outros Estados. […]

O que é incrível é que essa política [de austeridade] vem sendo usada várias vezes, como no Brasil nas décadas de 1980 e 1990, e nunca funcionou. Albert Einstein falava que a definição de loucura é fazer a mesma coisa várias vezes e esperar resultados diferentes.

O discurso de Chang dá a entender que o Brasil tenta enriquecer com políticas de livre comércio e austeridade – e esse seria o caminho errado. Mas o que o Brasil tenta fazer há décadas é justamente crescer “usando o protecionismo e as empresas estatais”. Sem austeridade. E não deu certo.

A citação a Einstein é muito irônica. O que o Brasil fez várias vezes, esperando resultados diferentes? Protecionismo. (E não há confirmação de que Einstein tenha dito tal frase.)

Ao contrário de outros países em desenvolvido [sic], o Brasil tem a habilidade de fazer as coisas acontecerem por meio da intervenção governamental. A Embraer, por exemplo, é uma empresa de economia mista. […]

A Embraer não é uma empresa de economia mista. (Talvez isso tenha sido um erro de tradução. Ou não.) E cresceu de fato apenas após ser privatizada.

O Governo de Dilma canalizou vários subsídios em alguns setores em particular. Mas isso só foi necessário por conta da política de alta taxa de juros, uma vez que as companhias brasileiras não conseguem competir no mercado global de outra forma. Não sei todos os detalhes. Mas sei que houve erros, corrupção. As metas governamentais também foram determinadas de forma equivocada… sempre privilegiando a estabilidade macroeconômica. Já o declínio da indústria não foi considerado um problema. Focou em ações como Bolsa Família, mas sem prestar atenção em dar um upgrade na economia. […]

Avaliação pra lá de estranha e confusa sobre o governo Dilma. De qualquer maneira, vale lembrar o que disse Chang em 2013:

O rumo da política econômica brasileira está no caminho certo e é normal que a combinação de juros mais baixos e câmbio mais desvalorizado leve algum tempo para produzir um ritmo de crescimento mais forte, disseram ontem o professor sul-coreano Ha-Joon Chang, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, e o ex-ministro Luiz Carlos Bresser Pereira. Para os dois economistas desenvolvimentistas, os juros e o câmbio estão hoje num nível mais favorável à indústria manufatureira, um segmento que os dois veem como fundamental para o desenvolvimento do país. […]

O professor de Cambridge também vê com bons olhos as medidas adotadas pelo governo Dilma Rousseff para estimular a indústria.