VGDensetsu on the Gigaleak and video game preservation

This wonderful article by Dom Auffret (VGDensetsu) is full of interesting information – so much, in fact, that it is difficult to choose what to highlight.

Here is one sad bit:

At Square Enix, on the other hand, some files could not be saved in time and some games’ source codes were lost. In addition to the Mana series previously mentioned, we know that the source code of the PlayStation version of Final Fantasy VIII has disappeared, forcing the developers of the HD version to fall back on the code of the PC version whose music is slightly different. Same with the first episode of Kingdom Hearts; the developers of the 1.5 HD Remix version had to analyze in depth a commercial copy and recreate many assets. An example that echoes the story a developer posted in 2010 in which he explained that, as part of a port of various Midway arcade games, the editor in charge of the project was unable to get his hands on the source code of Spy Hunter, so he had to download the game’s ROM in order to extract the graphics via MAME and retrieve the sound files from a fan site, among other things.

I rarely play video games nowadays, but I enjoy reading about it once in a while – especially on history.


Facebook censors Nicholas White video about chloroquine and hydroxychloroquine

A few weeks ago, I published a video by renowned scientist Nicholas White on the use of chloroquine and hydroxychloroquine against COVID-19.

Bizarrely, it was censored by Facebook.

Brazilian scientist Claudia Paiva wrote a post with a link to the video. Hours later, it was removed. Here’s Facebook’s explanation:

Your post goes against our Community Standards on misinformation that could cause physical harm

No one else can see your post.

We encourage free expression, but don’t allow false information about COVID-19 that could contribute to physical harm.

This is absurd. White says we do not know whether chloroquine and hydroxychloroquine work against COVID-19 and does not advocate their use in treatments. Why the censorship?

A ridiculous and unjustifiable decision from Facebook.


Facebook censura vídeo de Nicholas White sobre cloroquina e hidroxicloroquina

Há algumas semanas, publiquei um vídeo do renomado cientista Nicholas White sobre o uso de cloroquina e hidroxicloroquina contra a COVID-19.

Bizarramente, ele foi censurado pelo Facebook.

Claudia Paiva, professora da UFRJ, fez um post com link para o vídeo. Horas depois, ele foi removido. Eis a explicação do Facebook:

Sua publicação vai contra os nossos Padrões da Comunidade sobre desinformação que pode causar dano físico

Ninguém mais pode ver a sua publicação.

Incentivamos a liberdade de expressão, mas não permitimos informações falsas sobre a COVID-19 que possam levar à agressão física.

Isso é um absurdo. White diz que não sabemos se cloroquina e hidroxicloroquina funcionam contra a COVID-19 e não defende o seu uso em tratamentos. Por que a censura?

Decisão ridícula e injustificável do Facebook.


A letter on Emmanuel Farhi’s death

This was written by a childhood friend of Emmanuel Farhi. As Twitter user @BiasedStats notes, the third paragraph makes it worth sharing.

(Below the line, with no indentation.)


As most of you may have now heard, Emmanuel Farhi died by his own hand last week. He was a childhood friend of mine and even if we had been estranged for a long time, I feel this sad news compels or at least allows me to write this message. By all possible measures, Emmanuel was the gold standard of the profession: full professor at Harvard Economics Department, recipient of countless awards, esteemed colleague, coauthor and advisor.

I am not aware of the specifics of his personal situation. Of course, life can be difficult on many aspects other than work. However, in our profession arguably more than in others, professional and personal levels are quite often intertwined. According to the numerous reactions to his passing, Emmanuel counted many friends in the profession, who now refer to his brilliance (“true scholar”, “shooting star”, “super-human”, “best economist of his generation”, etc.). I believe this kind of tributes, however well intentioned, may also be problematic.

In Emmanuel’s case, such awe might have isolated him. In my case, I know that I forbade myself to get in touch with him as much as I could/should have because I did not feel entitled to do so. This kind of feeling is nurtured by the very hierarchical aspect of economic research, which, true enough, is not specific to economics, but is compounded by the reflective nature of our field, where we have a tendency to analyze our daily actions with economic metaphors and, among other examples, take a special interest in the determinants and the measure of individual and group productivity, as well as the structure of careers, using the example of academics.

The challenge we face is to create and maintain an ambitious and stimulating environment without losing sight of what makes academic life so great: collaborative work and a sense of collective, inclusive endeavor. This is all the more important for the newcomers, especially PhD students, who may struggle to adjust to new – and questionable – professional norms and are quite susceptible to mental distress, as discussed in this recent paper. This is also a crucial issue for the months (hopefully, not years) to come, when sanitary restrictions will limit actual human interactions and the generalization of online operations may increase exposure to global competition in possibly detrimental ways. Let us discuss about all this.


Nicholas White on the use of chloroquine and hydroxychloroquine for prevention of COVID-19

Nicholas White has been one of the few lucid, balanced voices on the use of chloroquine and hydroxychloroquine in treatment against COVID-19.

He is co-principal investigator of COPCOV, a randomised, placebo-controlled prophylaxis study to determine whether those drugs prevent the novel coronavirus disease in the healthcare setting.

In this video, recorded in July 2020, he says that we still don’t know if chloroquine and hydroxychloroquine work and that it’s been hard to find out because the politicisation has been interfering with the conduct of the studies.

[UPDATE – 11 August] Read the full transcript below the line.
Continue lendo “Nicholas White on the use of chloroquine and hydroxychloroquine for prevention of COVID-19”


Sobre ‘negacionismo’ e ‘negacionista’

Segundo o Houaiss 1, a palavra “negacionismo” começou a ser usada no Brasil em 13 de julho 1993, na Folha de S.Paulo. Ela aparece no texto “Autor escreve sobre ‘negação dos fatos’” (recorte), de Bernardo Carvalho, sobre Paul Virilio.

Voltou a aparecer em abril de 1994 e, depois, apenas em março de 2005.

Em O Estado de S. Paulo, ela foi usada pela primeira vez em 23 de abril de 1996, no texto “O venerável Abade Pierre põe Holocausto em dúvida” (recorte), de Gilles Lapouge.

Veja abaixo o número de vezes em que a palavra foi usada em cada jornal:

Década Folha Estadão
1990 2 2
2000 10 1
2010 58 20
2020 4 18
Total 74 41

Ainda segundo o Houaiss, “negacionista” apareceu pela primeira vez em 9 de junho de 1996, também na Folha.

Curiosamente, a edição eletrônica 3.0 para Windows inclui “negacionista”, mas não “negacionismo”.

Nenhuma das duas palavras está no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa.


  1. O Houaiss merecia um site bem melhor. Sua experiência de uso é horrível. Sempre me irrito ao usá-lo. Sempre. 

Artur Avila e o ‘negacionismo’ na ciência

Helio Gurovitz fez uma ótima entrevista com Artur Avila. Destaco dois trechos sobre negacionismo.

Nem é preciso entrar em muitos exemplos – penso logo nas vacinas – para ver que a postura anticientífica é atraente em certos meios. Por que isso acontece? Primeiro, está associado à polarização política. As pessoas escolhem seu campo a priori. Estão tão atreladas à própria posição, que a ciência que desafiá-la precisa ser descartada para continuarem a viver bem. Quando se recusam a criticar o próprio campo ideológico, isso conduz, de certa maneira, a rejeitar a ciência que apresentar uma crítica a ele. É parte da maneira como as pessoas vivenciam a política. Todo mundo na verdade está exposto a isso. É preciso reconhecer que, em qualquer lado da polarização que você esteja, filtrará as informações e rejeitará conclusões científicas contrárias. Não é questão de dizer que todo mundo é igual. Mas, quando a gente faz uma crítica – e deve sempre criticar – a posições como o terraplanismo, é sempre bom ver se não se dispõe a fazer o mesmo quando a crítica vier na sua própria direção. O discurso político é muito raso para comportar a complexidade de uma discussão científica. Inclusive porque a ciência não é cheia de certezas. Lidar com a nuance e com a maneira como ela se desenvolve, com margens de erro, é complicado. Quando vira um Flá-Flu, quando você fica torcendo pra sair o resultado que quer, não olha para a ciência como uma fonte de saber, mas só para tentar justificar ações que já tinha decidido anteriormente.

[…]

A gente tem muita incerteza, principalmente nessa situação em que faz ciência em tempo real. Não é o tempo natural da ciência. Pessoalmente, reservo a palavra “negacionismo” para situações bem estabelecidas. Há tanta incerteza no momento, que usá-la muito cedo acaba por associá-la a situações mais claras, em que o consenso científico é muito maior. Não é que eu tenha dúvidas da ciência, não tenho nenhuma. Mas é que isso encoraja o pessoal a reagir de maneira mais virulenta. A ciência, neste momento principalmente, aparentará oscilar. Uma hora os cientistas recomendarão uma coisa, outra hora podem recomendar o contrário. Não é bom usar prematuramente essa terminologia, numa situação em que a coisa pode mudar. O problema de quem adota uma posição inerentemente anticientífica é que, por acidente completo, de repente pode estar certo por acaso. Se as recomendações se tornarem o contrário do que eram, não quer dizer que a ciência estava errada. A ciência foi apenas ampliando o conhecimento. Usando essa terminologia, porém, as pessoas se sentirão encorajadas a fazer interpretações de que a ciência na verdade tem uma função política. É por isso que tento evitar. É um vocabulário que pode encorajar o lado anticientífico. A gente tem que aceitar a incerteza e dizer que existe uma gama de possíveis conclusões a partir do nosso conhecimento atual. E guardar o negacionismo para situações mais claras, como o Holocausto, bem diferente de questões que os cientistas ainda debatem. É preciso evitar o excesso no uso de linguagem, porque a gente pensa que está ajudando a clarificar uma coisa, mas pode ter o efeito inverso: levar as pessoas a duvidar mais ainda, porque as incertezas evidentes podem dar a impressão de que a ciência não é uma coisa séria.

Perfeito. Muitos “divulgadores científicos” e seus seguidores deveriam prestar especial atenção ao segundo trecho, sobre o problema de usar a palavra “negacionismo”. É necessário ter muito cuidado não apenas ao apurar a produção científica, mas também ao comunicá-la.


As colunas da ‘Folha’ (de novo)

Flavia Lima, ombudsman da Folha, fala sobre o texto de Hélio Schwartsman em que ele diz torcer pela morte de Jair Bolsonaro:

Essa liberdade é louvável e precisa ser ampla. Helio Beltrão segue dizendo o que pensa, mas, para lembrar de outro exemplo, Anderson França, colunista polêmico que escrevia no site, durou menos de um ano no jornal. Qual é a regra?

Adoraria saber a regra. Flavia poderia ter perguntado para os responsáveis pela escolha dos colunistas, mas talvez tenha evitado porque a resposta provavelmente seria vaga e desinteressante.

(Não resisto: Helio Beltrão pensa?)

De modo legítimo, a Folha busca audiência. Com os seus mais de mil comentários no site (um texto popular costuma ter entre cem e 300 comentários), a coluna a entrega. Mas briga entre famosos também dá cliques, sem que o saldo em termos de credibilidade seja significativo para o jornal.

O que ela quis dizer com “saldo [significativo] em termos de credibilidade”? Essa parte ficou ambígua. De qualquer maneira, para mim, noticiar briga irrelevante entre famosos diminui, sim, a credibilidade do veículo – mais do que qualquer texto ruim de Hélio Schwartsman.

Um outro aspecto é que a coluna aproxima as páginas do jornal do vale-tudo das redes sociais, universo em relação ao qual a Folha e toda a imprensa buscam se diferenciar.

Concordo. Quando a Folha deu espaço a Kim Kataguiri, no já longínquo 2016, escrevi:

Talvez leitores menos qualificados, que se “informam” loucamente pelo Facebook (onde também vociferam suas opiniões), tenham gostado da decisão da Folha. Faz sentido. A contratação de Kataguiri como colunista é um claro exemplo da contaminação do jornalismo pelas redes sociais. O “textão de Facebook” ganhou espaço como coluna de jornal.

[…]

Não sei bem quem ganha com essa baixaria toda. Mas certamente o jornalismo perde.


Poultry processing in the United States

Here are two videos about it:

I found the first video in this nice article by Nicholas Kristof about “what our great-grandchildren will find bewilderingly immoral about our own times — and about us.”

YouTube suggested me the second one.

P.S. I was going to stop writing in English (it is hard enough to write in Portuguese), but then I saw that more than 20 per cent of my visitors are from the United States. Now I don’t know what to do.


Tok&Stok perde tempo e dinheiro com lógica burra

Nesta semana a Tok&Stok deu uma incrível lição de como perder tempo e dinheiro. E de como não tratar um cliente.

Comprei dois armários pelo site no começo do mês. Preço promocional, dizia a loja. Eles foram entregues em 13/6. No dia seguinte, uma surpresa: os móveis ficaram ainda mais baratos – uma diferença de cerca de 20% em relação ao “preço promocional” que eu pagara.

Senti-me enganado, lógico. Escrevi uma reclamação e, nela, incluí duas possíveis soluções:

  1. Fico com os produtos que foram instalados, e a Tok&Stok me devolve o valor da diferença entre o preço antigo e o preço novo.

  2. Devolvo os produtos que foram instalados e faço um novo pedido, igual ao primeiro, mas com o preço novo.

A opção 1 era obviamente melhor tanto para mim quanto para a loja. É uma solução um tanto razoável – já passei por casos semelhantes com outras lojas e consegui a devolução da diferença sem problemas.

Na opção 2, a Tok&Stok precisaria ir até a minha residência retirar os armários já entregues, montados e instalados e, ainda, entregar novas unidades dos mesmos produtos.

E… Por mais surreal que possa parecer, a Tok&Stok escolheu a opção 2. É bizarro. Uma lógica extremamente burra. Ou simples falta de lógica.

A explicação é tão estúpida quanto a decisão: a loja não podia me devolver o valor da diferença porque eu havia comprado os armários com preço promocional. O fato de, um dia depois da entrega, o tal preço promocional ter caído 20% não fazia a mínima diferença. Eu pagara um preço promocional e, por isso, não havia como devolver parte do valor!

Para piorar, o atendimento da Tok&Stok foi extremamente frustrante, muito lento e ineficiente. Enviei a reclamação por e-mail, WhatsApp e Facebook diversas vezes, durante dias. Fui ignorado. Só consegui uma resposta pelo telefone, em uma ligação que durou exatamente uma hora, no último momento possível – era o último dia que eu tinha para pedir a devolução dos produtos, e a chamada encerrou-se às 17h59 (o atendimento funciona até as 18h). Rezei como nunca para que a ligação não caísse.

Uma decisão burra, que vai gastar tempo e dinheiro da empresa. Um atendimento inaceitável, digno de operadora de telefone e TV a cabo.

Parabéns à Tok&Stok.