FHC: Eu queria fazer socialismo, não sociologia

Um dos vídeos que subi no YouTube é a entrevista de Fernando Henrique Cardoso para o projeto “Memória das Ciências Sociais no Brasil”. Abaixo, destaco alguns trechos.

Socialismo, não sociologia

Na verdade, quando eu fui para a sociologia, o que eu queria fazer era socialismo, não era sociologia, não é?! E a ideia era mudar o Brasil. […]

O primeiro trabalho que eu escrevi foi sobre Parmênides. Você imagina, [risos] para quem está querendo mudar o mundo, escrever sobre Parmênides não é propriamente gratificante, não é?! [risos] Bom… E até quem dava essa aula sobre os pré-socráticos era um professor que era comunista, ou próximo, ele era muito interessante. Tentava dar uma coisa viva.

Aposentadoria precoce

Eu fui aposentado em abril de 1969. Eu ganhei a cátedra em outubro, fiquei seis meses. Comecei a dar um curso, e acabou. Fui receber a minha aposentadoria lá, e depois a moça do guichê disse: “Esse já morreu.” Eu disse: “Como, morreu? Eu estou aqui.” Tinha morrido um outro Fernando Henrique, Mendes de Almeida, da faculdade de direito. Aí ela me deu o meu salário lá, correspondente ao tempo de serviço, não sei o quê… Olhou para mim: “Tão moço, já aposentado” — não é “já catedrático”, não — “já aposentado”… Que é a glória de todo mundo, não é?! “Como é que conseguiu?” [Risos] Eu digo: “Ah, não é tão fácil assim, não [risos].”

Volta no tempo

C.C. –Se o senhor tivesse dezessete anos de novo, o senhor faria ciências sociais ou faria outra opção? […]

F.C. –Provavelmente sim [faria ciências sociais], com ênfase em história e em economia. Eu acho que a história ensina mais. E entendida história não como événement, mas uma história para valer. [Isso] por causa do meu sentido histórico-estrutural. […] Ainda mais agora no mundo de hoje… Sim.

Mais intelectual do que político

No limite eu sou mais intelectual do que político. Se não fosse, eu teria continuado a exercer a liderança efetiva, e eu não quis, quando deixei a presidência, não é? Não quis por razões pessoais e também por razões que… Bom, precisa ter outros que, enfim, assumam. Infelizmente não fui tão feliz assim na minha expectativa de que pudesse haver outro que se impusesse naturalmente como líder. Porque o líder natural, sucessor natural meu, morreu — era o Mário Covas, não é? Então houve um buraco aí, de geração. Depois o outro seria o Serra, mas o Serra não assumiu.

O depoimento foi gravado em 2011, e os entrevistadores foram Helena Bomeny e Celso Castro (o “C.C.” na citação acima). A transcrição pode ser lida no site do projeto.

A entrevista toda é bem legal, apesar da jactância de FHC — que, na verdade, é até engraçada.

Angeli que o diga.

"Esta É a Sua Vida", Angeli, Folha de S.Paulo, 1995

"Histórias de Amor", Angeli, Folha de S.Paulo, 1996

"Fernando Vai a Roma", Angeli, Folha de S.Paulo, 1997

"Discurso à Nação", Angeli, Folha de S.Paulo, 1997

"O Príncipe e os Miseráveis", Angeli, Folha de S.Paulo, 1998

‘Nota Bene’ no YouTube

Tenho colocado alguns vídeos no YouTube.

Comecei a fazer isso mais por conveniência. É comum eu encontrar material audiovisual interessante pela internet e não assistir a ele por não estar no YouTube. Vídeos em plataformas ruins (muitas vezes com um player próprio do site), distribuídos apenas como arquivos (é necessário fazer o download; não há streaming), em formatos obsoletos… Esses “atritos” desestimulam mais do que pode parecer.

O YouTube, por outro lado, estimula o consumo de vídeo. É rápido e fácil. Poderia melhorar em alguns pontos — gostaria muito de poder organizar melhor os meus canais e playlists, por exemplo —, mas, no geral, oferece uma boa experiência de uso.

Meu plano inicial era publicar apenas os vídeos que eu realmente planejava ver, mas, até pela facilidade, resolvi incluir também material que pode interessar outras pessoas.

A ideia original, de alguma maneira, persiste: disponibilizar vídeos que não estejam no YouTube. (Ou que estejam em versões diferentes ou piores do que as minhas.)

Nestas semanas, o foco tem sido material do Insper e da FGV. O primeiro insiste em usar o Livestream, cuja experiência de uso não raro deixa a desejar. E a segunda distribui apenas em arquivos no formato Flash Video as ótimas gravações do projeto “Memória das Ciências Sociais no Brasil”.

Espero que gostem.