More Brazil

Besides the three articles in the American Economic Journal: Applied Economics, Brazilian data also appears in the latest issue of the American Economic Review.

“Trade Liberalization and Regional Dynamics”
Rafael Dix-Carneiro, Brian K. Kovak

We study the evolution of trade liberalization’s effects on Brazilian local labor markets. Regions facing larger tariff cuts experienced prolonged declines in formal sector employment and earnings relative to other regions. The impact of tariff changes on regional earnings 20 years after liberalization was three times the effect after 10 years. These increasing effects on regional earnings are inconsistent with conventional spatial equilibrium models, which predict declining effects due to spatial arbitrage. We investigate potential mechanisms, finding empirical support for a mechanism involving imperfect interregional labor mobility and dynamics in labor demand, driven by slow capital adjustment and agglomeration economies. This mechanism gradually amplifies the effects of liberalization, explaining the slow adjustment path of regional earnings and quantitatively accounting for the magnitude of the long-run effects.

Brazil in the ‘AEJ: Applied’

The October 2017 issue of the American Economic Journal: Applied Economics includes three articles with Brazilian data. Here are their abstracts.

“The Use of Violence in Illegal Markets: Evidence from Mahogany Trade in the Brazilian Amazon”
Ariaster B. Chimeli, Rodrigo R. Soares

We provide evidence on the effect of market illegality on violence. Brazil was historically the main exporter of mahogany. Starting in the 1990s, trade was restricted and eventually prohibited. We build on previous evidence that mahogany trade persisted after prohibition and document relative increases in violence in areas with natural occurrence of mahogany. We show that as illegal activity receded in the late 2000s so did the relative increase in violence. We describe an experience of increase in violence following the transition of a market from legal to illegal and contribute to the evaluation of prohibition policies under limited enforcement.

“Human Capital Persistence and Development”
Rudi Rocha, Claudio Ferraz, Rodrigo R. Soares

This paper documents the persistence of human capital over time and its association with long-term development. We exploit variation induced by a state-sponsored settlement policy that attracted immigrants with higher levels of schooling to particular regions of Brazil in the late nineteenth and early twentieth century. We show that one century after the policy, municipalities that received settlements had higher levels of schooling and higher income per capita. We provide evidence that long-run effects worked through higher supply of educational inputs and shifts in the structure of occupations toward skill-intensive sectors.

“Persuasion: A Case Study of Papal Influences on Fertility-Related Beliefs and Behavior”
Vittorio Bassi, Imran Rasul

We study the persuasive impacts of non-informative communication on the short-run beliefs and long-run behavior of individuals. We do so in the context of the Papal visit to Brazil in October 1991, in which persuasive messages related to fertility were salient in Papal speeches during the visit. We use individual’s exposure to such messages to measure how persuasion shifts short-run beliefs such as intentions to contracept and long-term fertility outcomes such as the timing and total number of births. To measure the short-run causal impact of persuasion, we exploit the fact the Brazil 1991 DHS was fielded in the weeks before, during, and after the Papal visit. We use this fortuitous timing to identify that persuasion significantly reduced individual intentions to contracept by more than 40 percent relative to pre-visit levels, and increased the frequency of unprotected sex by 30 percent. We measure the long-run causal impacts of persuasion on fertility outcomes using later DHS surveys to conduct an event study analysis on births in a five-year window on either side of the 1991 Papal visit. Estimating a hazard model of fertility, we find a significant change in births 9 months post-visit, corresponding to a 1.6 percent increase in the aggregate birth cohort. Our final set of results examine the very long-run impact of persuasion and document the impacts to be on the timing of births rather than on total fertility.

(Via Claudio Ferraz.)

Marcos Lisboa e Fernando Haddad

Marcos Lisboa e Fernando Haddad fizeram um interessante debate no Insper. Foi uma continuação da discussão iniciada na revista Piauí, que teve três textos (pelo menos até agora):

Uma das coisas interessantes do debate ao vivo é que os participantes muitas vezes dizem coisas que normalmente não escreveriam. Ou que escreveriam com muito cuidado, após pensar uma centena de vezes, principalmente no ambiente polarizado em que vivemos hoje.

Haddad, por exemplo, elogiou Fernando Henrique Cardoso, Geraldo Alckmin e, de maneira meio torta e indireta, até Eduardo Azeredo e a Folha de S.Paulo. Lisboa disse ter sido contra o impeachment de Dilma Rousseff.

Há também toda aquela interação pessoal que só um encontro ao vivo pode proporcionar — expressões, risadas, piadas, cutucadas etc. —, além de anedotas e comentários que não têm muito lugar em textos escritos. Logo no começo, por exemplo, Haddad disse, em tom de brincadeira:

Apesar de eu dar uns pitacos em economia de vez em quando, eu [só] estudei dois meses de economia, que foi pra passar no exame da Anpec. Depois eu não estudei mais. Eu colava um pouco do Alexandre Schwartsman, do Naercio Menezes, pra passar [nas provas do mestrado]. Então eu tenho dois meses de estudo no meu escritório de advocacia. Passei na Anpec, e é o que eu mais ou menos domino [sobre economia]. Agora, eu sou um curioso. Gosto de economia. Leio [sobre] economia bastante — sem o compromisso profissional, mas é um tema que eu aprecio muito.

Haddad foi colega de Alex e Naercio na USP, no final dos anos 1980. Hoje, os três estão no Insper. O relato acima vale, claro, pela curiosidade (especialmente para quem cursou ou pretende cursar mestrado de economia no Brasil). O ambiente no Insper era de descontração.

A imprensa brasileira foi abordada em certo momento da conversa. Infelizmente, Haddad insistiu em reforçar uma visão algo conspirativa da grande mídia, enquanto Lisboa beirou a inocência ao elogiá-la. Acredito que a realidade esteja mais próxima da opinião de Lisboa, mas quem realmente poderia ter acrescentado algo a essa discussão estava sentado entre os dois — Fernando de Barros e Silva, diretor de redação da Piauí, que mediou o debate. Com sua credibilidade e experiência, ele poderia ter feito ótimas ponderações aos exageros cometidos pelos debatedores, mas, compreensivelmente, preferiu fazer apenas uma rápida observação.

De qualquer maneira, os comentários de Haddad e Lisboa são mais uma demonstração da incompreensão que existe, mesmo entre a elite intelectual brasileira, sobre o jornalismo — em especial, sobre o funcionamento dos grandes veículos de mídia no país.

Jornalistas como Barros e Silva poderiam pensar em alguma maneira de melhorar isso. Eles têm muito a contribuir.

[Atualização – 24/9] A fala de Haddad que destaquei acima gerou um debate um tanto exagerado no perfil de Carlos Eduardo Gonçalves no Facebook (e talvez em outros lugares também). Modifiquei o texto para frisar que Haddad estava brincando, como bem observou Paulo Furquim de Azevedo.

Reforma da Previdência: dois textos

Um, no UOL, cheio de falácias:

A Reforma da Previdência, tal como está proposta, escancara a existência de dois Brasis.

Um que pode arcar com a imposição de 65 anos como idade mínima para aposentadoria e 25 anos como tempo mínimo de contribuição, pois começa a trabalhar mais tarde e consegue viver mais.

E outro que pula de serviço informal em serviço informal, destrói a saúde em trabalhos braçais e jornadas extenuantes e vive em regiões com expectativa de vida pouco maior que esses 65 anos.

Outro, no blog Brasil, Economia e Governo, muito mais honesto:

É um grave equívoco usar neste debate a expectativa de vida ao nascer. Este indicador é, grosso modo, a idade média com que as pessoas falecem no Brasil. Ele é muito influenciado, para baixo, pela mortalidade infantil e pela morte de jovens por causas externas, como no trânsito e em homicídios. É por isso que em Estados pobres a expectativa de vida ao nascer é tão baixa.

Para a Previdência, o que importa é a expectativa de vida não no nascimento, mas na idade da aposentadoria. Este indicador também é muitas vezes no debate chamado de “expectativa de sobrevida”. Aos 65 anos, a expectativa de sobrevida do brasileiro é, hoje, de mais 18 anos, totalizando 83 anos e meio. A boa notícia: esta expectativa vem aumentando e varia pouco pelo país (é de cerca de 84 anos no Sul, 82 e meio no Nordeste). Se de fato os aposentados morressem em média com 66 anos, seria um absurdo a reforma da Previdência.

Por que articulistas tão fracos têm tanto espaço em grandes veículos? Duas hipóteses não mutuamente exclusivas:

  • Eles atraem audiência (essa explicação serve para muitos defeitos do jornalismo online);

  • Quem os escolhe é incapaz de distinguir os legitimamente bons dos picaretas.

Certamente há diversas outras razões, mas essas devem estar entre as principais.

Republicans, Democrats and ‘the true underlying political economy of deficits’

Kenneth Rogoff:

It is a post-financial-crisis myth that austerity-minded conservative governments always favor fiscal prudence, while redistribution-oriented progressives view large deficits as the world’s biggest free lunch. This simplistic perspective, while perhaps containing a grain of truth, badly misses the true underlying political economy of deficits.

The fact is that whenever one party has firm control of government, it has a powerful incentive to borrow to finance its priorities, knowing that it won’t necessarily be the one to foot the bill. So expect US President-elect Donald Trump’s administration, conservative or not, to make aggressive use of budget deficits to fund its priorities for taxes and spending.

The most accurate framework for thinking about government budget deficits in democracies was proposed in the late 1980s by the Italian scholars Alberto Alesina and Guido Tabellini, more or less simultaneously with two Swedes, Torsten Persson and Lars Svensson. While their approaches differ slightly in detail, the basic idea is the same: You give money to your friends while you can. If there is less money to go around later, when the opposition party gets its turn in power, well, that’s just too bad.

One only has to recall recent US economic history to confirm the insight of the Italian/Swedish model — and to see the absurdity of claims that Republicans always aim to balance the budget while Democrats always try to spend beyond the country’s means.