Harm reduction

The Brazilian government had no time to prepare the market for the reduction of the target for the primary fiscal surplus (the budget balance before interest payments) from 1.2 per cent of gross domestic product to 0.15 per cent. The harm-reduction efforts apparently include increasing the media exposure of the finance minister, Joaquim Levy.

In the past last few weeks, he was interviewed by Fernando Dantas, for Agência Estado, and by Miriam Leitão, for her programme on GloboNews. The minister also wrote an article for Folha de S.Paulo (English version here).

Mr Levy cautiously tries to show some optimism and sends messages to the Congress — with no explicit attacks.

Redução de danos

O governo não teve tempo de preparar o mercado para a redução da meta de superavit primário, que passou de 1,1% para 0,15% do PIB. O esforço para diminuir os danos, pelo visto, inclui aumentar a exposição do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, na mídia.

Nas últimas semanas, ele foi entrevistado por Fernando Dantas, para a Agência Estado, e por Miriam Leitão, para seu programa na GloboNews. O ministro ainda escreveu um artigo para a Folha de S.Paulo.

De maneira comedida, Levy tenta transmitir certo otimismo e manda recados ao Congresso, mas sem atacá-lo explicitamente.

Sergio Fausto: past, present and future of the PSDB

In an article for Folha de S.Paulo, political scientist Sergio Fausto presents a good summary of the past, the present and the future of the PSDB, the main opposition party in Brazil.

During Lula’s mandate [2003-2010], there is no doubt that the PSDB was wrong trying to avoid being connected to the supposedly cursed inheritance left by the Fernando Henrique Cardoso government [1995-2002]. The party committed several times the mistake of giving up a constituent part of its identity […].

Basically, the PSDB did not have conviction that the Cardoso government, despite the crisis and the unsatisfactory results in terms of growth and employment, represented a significant advancement for the country and constituted an asset and not a liability to the party, not only in a retrospective view, but also in a perspective of the future.

The scenario faced by the PT today has some similarities. After the elections and especially this year, with the effects of the crisis more evident, it has been hard to see members of the party defending the first term of Dilma Rousseff. In addition, a fraction of the PT believes that the party or the government mimics the PSDB by committing “the mistake of giving up a constituent part of its identity”.

There is at least one significant difference: it will probably be much harder for the PT to convince the population (and perhaps even itself) that the Dilma government, “despite the crisis and the unsatisfactory results in terms of growth and employment”, will have represented “a significant advancement for the country”.

To stablish a qualified dialogue with this network [of potential PSDB supporters] implies not only to democratise the party internally, but also to define more clearly the place of the PSDB in the ideological map of the country. For that, the party cannot forget it built its history in the progressive and viscerally democratic camp. Forgetting its DNA might seem tempting in the face of the conservative tendencies on the rise in the Brazilian society, but that would represent the irremediable loss of its character and its transformation into a party like any other.

More than a provocation to the most conservative fraction of the PSDB, that message is a warning to his progressive colleagues of the party. “We cannot lose our character.”

‘Brasil: A Corrupção do Progresso’

Esse é o título do último artigo de Kenneth Maxwell para a New York Review of Books. Apesar de alguns pequenos erros (como “Sérgio Mota” em vez de Sergio Moro), ele oferece uma boa visão geral do que vem acontecendo no Brasil nos últimos meses.

Ele pode ser lido aqui.

‘Brazil: The Corruption of Progress’

That is the title of the latest article by Kenneth Maxwell for the New York Review of Books. Despite a few little mistakes (e.g., “Sérgio Mota” instead of Sérgio Moro), it offers a good overview of what has been happening in Brazil over the past few months.

It can be read here.

Sergio Fausto: passado, presente e futuro do PSDB

Em artigo para a Folha, Sergio Fausto faz uma boa síntese sobre o passado, o presente e o futuro do PSDB. Destaco dois trechos.

No período Lula, não resta dúvida de que o PSDB errou ao buscar se desvencilhar da suposta maldita herança do governo FHC. O partido cometeu repetidas vezes o equívoco de abdicar de parte constitutiva de sua identidade […].

No fundo, faltou ao PSDB convicção de que o governo FHC, apesar das crises e dos resultados insatisfatórios em matéria de crescimento e emprego, representara um significativo avanço para o país e constituía um ativo e não um passivo para o partido, não apenas em uma mirada retrospectiva, mas também em uma perspectiva de futuro.

O cenário enfrentado pelo PT hoje tem algumas semelhanças. Depois do período eleitoral e principalmente neste ano, com os efeitos da crise mais evidentes, ficou difícil achar petistas que defendam o primeiro mandato de Dilma Rousseff. Além disso, uma parcela do PT acredita que o partido ou o governo repete o PSDB ao “abdicar de parte constitutiva de sua identidade”.

Há pelo menos uma diferença significativa: provavelmente será muito mais difícil para o PT convencer a população (e talvez até a si mesmo) que o governo Dilma, “apesar das crises e dos resultados insatisfatórios em matéria de crescimento e emprego”, terá representado “um significativo avanço para o país”.

Estabelecer uma interlocução qualificada com essa rede [potencial de apoio ao PSDB] implica não apenas democratizar internamente o partido, mas também definir com mais clareza o lugar do PSDB no mapa ideológico do país. Para tanto, o partido não pode esquecer que construiu a sua história no campo progressista e visceralmente democrático. O esquecimento de seu DNA pode parecer tentador diante das tendências conservadoras em alta na sociedade brasileira, mas representaria a descaracterização irremediável do partido e a sua transformação em uma sigla como outra qualquer.

Mais do que uma cutucada na parcela mais conservadora do PSDB, essa mensagem é um recado aos colegas progressistas do partido. “Não podemos nos descaracterizar.”

Reunião com governadores: ‘Folha’, ‘Estado’ e ‘Globo’

Os jornais de ontem (31/7) fornecem bom material para um rápido exercício de jornalismo comparado.

Na capa, a Folha de S.Paulo deu como notícia principal o deficit primário do governo federal no primeiro semestre e usou uma chamada menor para a reunião da presidente Dilma Rousseff com os governadores, além de outra para uma análise sobre o encontro. O Estado de S. Paulo e O Globo preferiram o inverso e colocaram a reunião como o maior destaque da primeira página.

Mais interessante do que isso é o modo como cada jornal tratou a reunião. Eis os títulos usados na primeira página:

Folha: “Presidente pede aos governadores ajuda para superar crise”

Estado: “Governadores vão combater pauta que ameaça ajuste”

Globo: “Governadores apoiam Dilma contra aumento de gastos”

A Folha colocou Dilma como personagem principal, enquanto os outros dois deram mais destaque à reação dos governadores.

O Estado e o Globo, que têm fama de serem mais duros com o PT, deram um ar mais positivo à reunião, com matérias que passam a ideia de que algo de bom saiu dali — os governadores se comprometeram a ajudar a presidente no ajuste fiscal.

A matéria da Folha pouco fala sobre a reação dos governadores — uma falha grave, pois eles também eram protagonistas do evento. Fica a impressão de uma reunião completamente infrutífera, com a presidente indefesa pedindo socorro.

Nesse caso, os leitores dos outros dois diários tiveram uma cobertura mais bem apurada, que relata não apenas o que Dilma disse, mas também o que ouviu.

Structural problems of the Brazilian economy

Economists Mansueto Almeida, Marcos Lisboa and Samuel Pessôa, in an article (in Portuguese) for Folha de S.Paulo, the most influential Brazilian newspaper:

Contrary to the prevailing view, the fiscal crisis does not stem only from the lack of control of public accounts in recent years. The crisis is deeper and requires a more severe and structural adjustment to allow the resumption of growth. The measures to facilitate a higher primary surplus this year do not overcome the serious challenges facing the country, they only postpone the resolution of the problems, which become even more serious.

Yes, a serious lack of control of public expenditures started in 2009. However, in addition to the short-term problems, there is a structural imbalance. Since 1991, public spending has grown at a higher rate than the national income. […]

Brazil’s serious fiscal problem reflects the unbridled granting of benefits that is incompatible with its national income. We promise more than we have, postponing the resolution of existing restrictions. We leave for future generations accounts payable, but the future has the inconvenient habit of becoming the present.

The article sums up well some of the main structural problems of the Brazilian economy, while also citing the cyclical challenges — caused, in the author’s opinion, by the policies adopted after the 2008–09 crisis.

It deserved more careful editing, though, with some charts and better organised arguments (the text is a bit messy in its bottom half).

The authors are considering translating the article to English. I hope they do that.

The full version, only slightly longer, can be read here.

Problemas estruturais da economia brasileira

Mansueto Almeida, Marcos Lisboa e Samuel Pessôa, na Folha:

Ao contrário da visão dominante, a crise fiscal não decorre apenas do descontrole das contas públicas nos últimos anos. A crise é mais profunda e requer um ajuste mais severo e estrutural para permitir a retomada do crescimento. As medidas para viabilizar um maior superavit primário neste ano não superam os graves desafios do país, apenas adiam o enfrentamento dos problemas, que se tornam ainda mais graves.

Certamente, ocorreu um grave descontrole dos gastos públicos a partir de 2009. Para além dos problemas de curto prazo, porém, existe um desequilíbrio estrutural. Desde 1991, a despesa pública tem crescido a uma taxa maior do que a renda nacional. […]

O grave problema fiscal do Brasil reflete a concessão desenfreada de benefícios incompatíveis com a renda nacional. Prometemos mais do que temos, adiando o enfrentamento das restrições existentes. Deixamos para as próximas gerações as contas a serem pagas, porém o futuro tem o inconveniente hábito de se tornar presente.

O artigo resume bem alguns dos principais problemas estruturais da economia brasileira, sem deixar de citar os desafios conjunturais — causados, na opinião do trio, pelas políticas adotadas após a crise de 2008–09.

Merecia, porém, uma edição mais cuidadosa, com alguns gráficos e argumentação mais organizada (o texto fica um pouco bagunçado na metade final).

A íntegra, um pouco mais comprida, pode ser lida aqui.