Problemas estruturais da economia brasileira

Mansueto Almeida, Marcos Lisboa e Samuel Pessôa, na Folha:

Ao contrário da visão dominante, a crise fiscal não decorre apenas do descontrole das contas públicas nos últimos anos. A crise é mais profunda e requer um ajuste mais severo e estrutural para permitir a retomada do crescimento. As medidas para viabilizar um maior superavit primário neste ano não superam os graves desafios do país, apenas adiam o enfrentamento dos problemas, que se tornam ainda mais graves.

Certamente, ocorreu um grave descontrole dos gastos públicos a partir de 2009. Para além dos problemas de curto prazo, porém, existe um desequilíbrio estrutural. Desde 1991, a despesa pública tem crescido a uma taxa maior do que a renda nacional. […]

O grave problema fiscal do Brasil reflete a concessão desenfreada de benefícios incompatíveis com a renda nacional. Prometemos mais do que temos, adiando o enfrentamento das restrições existentes. Deixamos para as próximas gerações as contas a serem pagas, porém o futuro tem o inconveniente hábito de se tornar presente.

O artigo resume bem alguns dos principais problemas estruturais da economia brasileira, sem deixar de citar os desafios conjunturais — causados, na opinião do trio, pelas políticas adotadas após a crise de 2008–09.

Merecia, porém, uma edição mais cuidadosa, com alguns gráficos e argumentação mais organizada (o texto fica um pouco bagunçado na metade final).

A íntegra, um pouco mais comprida, pode ser lida aqui.